domingo, 6 de janeiro de 2008



REPELENTE


Hoje já não sou a sobra do mesmo dia
como um elemento que apazigua os teus olhos
e de uma esmola que trama uma agonia
de tudo que eu procuro como fonte do que eu recolho

Essa seiva simplesmente preenche o meu tempo
vai do orvalho que os meus rotos pés ofuscam
até o idílio dos teus cheiros que me retiram do centro
tesouro que eu dou para voces que tanto me procuram

Mesmo eu sabendo que quem espreita nunca encontrará o amanhã
como selva que escorre pela porta do seu ser que me abocanha
baralho todas as partes como um cão ferido de tanta luz pagã
e o que me falta nada me diz que voce não se rama

E os zumbidos de uma cancela que me doa lágrimas
como subida de uma síncope e irrecusável lembrança
como terços, despejos, despedidas, ímpetos e piras rápidas
que roubam da minha alma o sossego como desculpa de uma criança

E o súbito ar do que ainda me resta no peito
me empresta uma deusa que rasteja e fala baixinho e sonolenta
como o tempo que tremula uma hóstia ínfima e tão sem jeito
fria, triste, abandonada, como um trilha lúgubre que ninguém aguenta.

Cgurgel

Um comentário:

Daniel disse...

denso. bem denso. gosto muito. bem bacana o espaço por aqui. sempre qeu der estarei lendo suas péginas negras. abraço.