terça-feira, 1 de janeiro de 2008



POEIRA DA ESTRADA



Quando eu me vejo, como a vela da minha vida
descubro o sangue, eu corto a pele daquele sono
é como o céu da boca que fica negro, espelho que refina
escolho a trouxa, que me dá fome e eu nem como

E como de noite, tudo cabe e eu sou facho
enfileiro meus dedos no pó que a guelra há de querer
é como uma madeira que corto, entorto e me lasco
são lanternas, binóculos, viseiras e tudo que tem que se ver

E no banquete do que a hora me chama
eu viro anjo, rato, lagarto, cheiro do mato
como fumaça, jejum, um tôco e tudo que o mundo difama
o risco de uma gilete, a ponta da poeira em tudo que é pasto

Sou tôrre de torresmo, como bagulho que corre solto
é o rôle que dou, por dentro de imundícies e lixões
é o pensamento que corre como se fosse o outro
que me joga no pôdre, no gueto da grama, no difícil vale e seus leões

Só assim no meio da noite, eu encontro a vida
que corre na via daquele expresso que me consome
tudo que some, como uma vã espécie que rasga o véu daquela ferida
do que me resta daquele pincel que me colore e que não tem nome.

Cgurgel

Um comentário:

Nivaldete Ferreira disse...

Belo blog, Carlos. CriATIVO... Vapores poéticos nos corredores incertos da net... Parabéns!