segunda-feira, 24 de março de 2008



ELA É DA PÁ VIRADA !

“A Dani Gurgel é tudo de bom! Sua sala de visitas é uma sala de ensaio! Sendo sua mãe a grande pianista Debora Gurgel, Dani nasceu em berço de boa música. Ela é formada em fotografia e sua especialização é o registro de shows, ou seja música sendo produzida ao vivo. Pelo fato dela ser cantora e saxofonista, a Dani Gurgel vê a música pelo lado de dentro, o que a possibilita captar fotograficamente o clímax de uma performance com a luz e enquadramento poético- perfeitos. Suas fotos surgem em sincronia plena com a música produzida no palco.
Extremamente profissional. “Au concours“. Como cantora e instrumentista ela também não deixa por menos: revela novos compositores, encabeça projetos e acaba de lançar um compacto-impacto! Com arranjos jazzísticos, vocalizes complexos, solos e convenções com apuro técnico. Esta menina raçuda vive me impressionando! Eu tenho um carinho especial por ela, pois além dela cantar duas músicas minhas, ela relizou um dos registros fotográficos mais belos que tenho. Salve Dani Gurgel!” (Depoimento da cantora Giana Viscardi)

O trabalho musical e fotográfico de Dani Gurgel

Nascida numa família de músicos, aos quatro anos ela já descobria seu primeiro instrumento. E foi de instrumento em instrumento (flauta doce, piano, flauta transversal, saxofone, baixo) e participando de bandas de colegial e faculdade, tocando na ULM, na Domus, no Clam, que ela foi desenvolvendo parcerias musicais e se formando como artista.
No grupo Quincas, ela, Vinicius Calderoni e o Tó Brandileone testavam suas composições para o público do Café Piu-Piu, sempre lotado. A decisão pra assumir-se como cantora foi aos poucos amadurecendo. O processo foi acelerado pelo convite do grupo Triálogo, da pianista Debora Gurgel, que requisitou a voz da Dani Gurgel na gravação das parcerias musicais entre elas.
“E não é que, depois de quase vinte anos passeando de instrumento em instrumento, eu descobri que a minha era cantar?”
Cantar e também compor. Algumas composições são “filhas de mãe solteira” como ela mesma diz, feitas integralmente (letra e música) por ela. Algumas com parceiros, e muitas com a Debora Gurgel.
“Uma vez fizemos um mutirão de letras pra músicas dela pra forçá-la a entrar num concurso que não admitia composição instrumental. Nessas que surgiu Da Pá Virada, em cima de uma música que ela [Debora] tinha feito para mim e para a minha irmã alguns anos antes”.
Paralelo ao seu desenvolvimento musical, a menina da pá virada cultivou uma outra paixão, com a qual ela se identifica, e que hoje a identifica profissionalmente tanto quanto a música: a fotografia. Enquanto tocava sax barítono em big band aos treze anos, ela já começava a fotografar, também profissionalmente. Fez cursos de especialização na área (Panamericana, Senac, Leica...) e cursou a faculdade da Escola de Comunicação e Arte da USP (ECA).
Teria ela que optar entre a música e a fotografia? Ela resolveu fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Contrariando a lógica matemática, decidiu ser 100% cantora e 100% fotógrafa, e fotografar dentre outras coisas, ou principalmente, o universo musical: shows, retratos dos músicos, dos instrumentos, capas de discos etc...
“Todo o meu trabalho acadêmico, inclusive, é calcado na relação entre os dois. No meu trabalho de conclusão de curso, abordei a fotografia de música em tempos digitais. Falei das mudanças na maneira de se produzir e consumir música, fotografia e as duas relacionadas. Nesse assunto estou me preparando pra começar o mestrado”.
Acostumada a fotografar apresentações musicais dos outros, Dani Gurgel admite que apesar de boas fotografias tiradas por terceiros de apresentações suas, ou mesmo fotos pessoais comuns, ela se sente sempre tentada a fazer auto-retratos.
Seu disco, que deve ser lançado ainda no primeiro semestre, está sendo produzido em parceria com Debora Gurgel e Thiago Rabello, o mesmo que gravou e mixou o compacto feito em 2007, com função de CD demo ou pré-disco, lançado na rede como tem sido comum na era digital.
“Quero evitar aquela fórmula pronta que é muito seguida de ter um Chico, um Edu Lobo, um João Bosco, um Gil... Se pensarmos com calma, a Elis cantava músicas deles quando eram quase desconhecidos, e não consagrados como hoje. Ela é minha grande referência (sem comparações, por favor), que olhava para os lados e não para cima na hora de fazer o trabalho dela. Eu quero gravar os compositores da minha geração, com o pessoal que acredita no meu trabalho, e não um pacote pronto”.
O repertório está fundamentado no projeto com novos compositores, convidados a apresentar suas canções na voz de uma nova cantora (que também é compositora), a própria Dani Gurgel. A relação da cantora-fotógrafa com os novos compositores, e com uma perspectiva autoral de carreira pode ser percebida em sua trajetória até aqui. O projeto Novos Compositores, realizado em 2007, com compositores atuais apresentando seus trabalhos, fundamentará o primeiro disco dessa artista polivalente.

Um comentário:

Zózimo Trabuco disse...

Essa foi a matéria publicada no blog "Geração Supernova" www.geracaosupernova.blogspot.com