domingo, 30 de dezembro de 2007


PRÊMIO FUNARTE DE BOLSA LITERÁRIA

> Mais uma vez, os estranhos caminhos da premiação literária nesse país ganha contornos obscuros. A FUNARTE lançou este ano um prêmio de Bolsa Literária cujo prazo se esgotava no dia 10 de dezembro. O edital, por si só, era de uma burocracia felliniana ou de um sadismo a toda prova. Pois bem, centenas de escritores, entre eles a contista, poeta e romancista, Carmen Moreno (que, indignada, me envia o e-mail cujo teor segue adiante), depois de passar por esse teste kafkiano, que era ultrapassar a barreira dos xeroxes e impressões de textos, com toda a "gastança" que isso impõe, acreditou no Edital e no bom nome da Funarte, e, no último dia de prazo, após um esforço hercúleo com as papeladas exigidas, deixou seu trabalho por lá. Para seu espanto, soube que o resultado sairia DOIS!!!!! dias depois! E se perguntou: como é que um júri pode ler tantos trabalhos, sem qualquer tipo de isenção, e a Funarte publicar no Diário Oficial o resultado com apenas dois dias? E começaram as dúvidas não só dela, mas de vários concorrentes, culminando com a reportagem saída no O Globo, no dia 23 de dezembro.
> A indignação e a humilhação da escritora Carmen Moreno não é só dela. Pertence a todos nós, escritores, que ainda acreditamos que o nosso país pode caminhar para a frente com o mínimo de responsabilidade e dignidade. A Cultura - essa "coisa" para alguns tão abstrata - não pode ser tratada com tamanho desprezo e descaso. É preciso que a Funarte venha a público esclarecer esse obscuro caso e ponha luz em nossas mentes decepcionadas.
> Peço a gentileza de divulgarem essa carta, para que algo de proveitoso se tire desse estranho fato.
> Cordialmente, Tanussi Cardoso
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Um comentário:

jansson disse...

No meu caso foi no prêmio de dramaturgia, nos mesmo dias da literária. Que alertei sobre uma questão antiga, ainda do tempo do Antonio Grassi, sobre a separação de canditados do eixo São Paulo e Rio de Janeiro.
Foi uma conquista quando no ano seguinte foi feito por regiões.
Neste ano aconteceu no velho modelo de edital. Juntou tudo, e alertei que os contemplados seriam do Rio e de São Paulo. E assim, aconteceu.
Eu que estou no interior de Minas, passando primeiro por Belo Horizonte, vi nesta tramóia a impossibilidade de uma chance de sucesso. Ainda sim, mandei e o vazio e a revolta ficaram. Cada dia estou mais descrente com nosso caminho artístico cultural. Esperando que um dia eu possa ser reconhecido por meus trabalhos. Mesmos que seja num caixão, que é normal no Brasil