quinta-feira, 27 de dezembro de 2007


CONTUMAZ


Minha saudade é uma relíquia
Confesso aos meus erros a felicidade
De uma chácara repleta de ilhas
E de um vasto ocaso: o espelho daquela tarde

Foi o ontem que me deixou mais pensativo
Repousado de brios, ferrugens e do bem do mar
É como o destino que me caçoa, soa fugitivo
De uma torre, de uma serpente, do seu olhar

Me sigo como vila velha de milhas
Trespasso a ampulheta que aluga noites e dias
Águo a vida que me dá filhos e filhas
E repouso como um míssel, sombreado de dentes sombrios

No vasto do rastro que escorrego e me acho
Vago feito um senil, simulacro de fogo e enfeite
Sou de noite a flor do facho, passo à passo
Como uma bússola que encobre todo o seu azeite

E que da ilha que do início me fez senhor
Eu peço a luz que induz e conduz a sua paz
Só quero a cruz, as minhas costas e aquela dor
E do inúmero vento daquela lembrança que me leva e que me trás.

Cgurgel

2 comentários:

Walnélia disse...

...belo tão belo que depois de ler teu Blog maravilhoso,percebo que estou assim parada olhando a tela,ou decifrando o nada ...é que tua inspiração poética transmite força tanta,capaz de um movimento ou alento naquilo que parecia em mim,apatia.
Quero vir aqui mais vezes,querido Gurgel.
Abraço fraterno

ComPoesia disse...

Belíssimo espaço, poeta!

Carol