quarta-feira, 17 de setembro de 2008



LÚMPEN

somente o íngreme susto com seus girassóis
haverá de nos redimir de feitiços e insônias
pois o corvo que da árvore habita
se alimenta dos seus sonhos e inúmeros sargaços

e aquela nuvem que agora para voce cresce
é mesmo uma coberta de lãs e venerações
como um périplo que se planta tardiamente no seu coração
entre árvores e olhares, como pasto, como membro fiel do seu nevoeiro


e mesmo que passe esse surto como quem assim deseja
uma enorme e inexplicável chuva a tudo inunda
e por baixo dos seus olhos uma face vê tudo e se cala
tão convulsivamente vã de suas lágrimas e cítricas línguas


e comovente, o fogo onde a guerra arde
cobre de ferro e amianto as ondas que do mar expande
como um cais que dorme e acorda vigiando todas as partes do seu paraíso
e do seu território expulsa como seu respiro, a vida e os seus infinitos
quarteirões

e eis que da mata virgem surge
como quem dela sobrevive e é capataz
o dono, proclamador das suas crias, tal qual sangue, saga
tão louco e tão insano verme, obtuário de si próprio e dos seus vendavais.

Cgurgel

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