terça-feira, 9 de dezembro de 2008


TOM ZÉ – ESTUDANDO A BOSSA
Por Fabrício Brandão

Em meio ao cinqüentenário tão já anunciado da Bossa Nova, um arauto musical diferenciado rende seus esforços artísticos em torno de seu novo trabalho. É Tom Zé que vem de lá e anuncia todos os seus versos e construções inteligentes possíveis para percorrer o seu Estudando a Bossa. Quem está acostumado a ver aquela sonoridade eivada de múltiplos efeitos rítmicos tão característica dos últimos discos do artista, agora se apercebe conduzido num lugar no qual reinam doses adequadas de lirismo. O cérebro inquieto e brilhante de Tom Zé revela-se aqui na sugestão de uma verdadeira pesquisa musical em torno de momentos e personagens que ajudaram a definir a cara do gênero bossanovista. Sem medo de arriscar, poderia dizer que serve como uma leitura lúcida e bem humorada de aspectos íntimos daquele movimento que se consolidaria até hoje dentro e fora do país. Até parece uma aula de história musical muito bem ministrada pela tão inseparável irreverência do cantor e compositor baiano.
Letras e arranjos aqui estão a serviço de um nível de qualidade e sensibilidade altos. Tom Zé sabe se aproveitar das possibilidades vocais, aliando textos inteligentes a performances vocais femininas precisas. As expressões ricas das vozes de Fernanda Takai, Mônica Salmaso, Tita Lima, Andréia Dias, Márcia Castro, Jussara Silveira, Fabiana Cozza, Marina de La Riva, Zélia Duncan, Anellis Assumpção e Badi Assad vêm se juntar às intervenções de Tom Zé, algo que promove uma sensação teatralizada de diálogos que cortam as músicas. Através desse trabalho dotado de apuros e virtudes abundantes, é que podemos perceber porque o compositor talvez seja um dos raros ícones de nossa música capaz de ser visto com os olhos adequados da originalidade.
Toda uma fervilhante inventividade é exibida em canções como João nos tribunais, O céu desabou, Síncope Jãobim, Outra insensatez, Poe! (com David Byrne), Mulher de música e Brazil, capital Buenos Aires. Do início ao fim, Estudando a Bossa se revela um álbum impecável, sem, no entanto, carregar a pretensão de servir como um tributo à Bossa. Ante o engrossar do coro daqueles que rendem adoração ao gênero, o mais importante aqui é sentir a música pulsando pelas reflexões alternativas de uma mente insistentemente criativa. O resto é pura sonoridade elevada ao belo e alguma boa desconfiança do que poderia ter acontecido se esse baiano da pequena Irará tivesse inventado aquele movimento.

5 comentários:

Luh Oliveira disse...

Olá, queridíssimo amigo!

Tem um presentinho pra voc~e lá em meu blog. Passa lá e pegue-o.

Cheirosssssssssss,

Luh Oliveira

Bia disse...

De cara, ao abrir, logo meu "queridíssimo Zé"!!!
bjo, meu amigo!
estarei aqui tb.
Com afeto, Bia.

diana sandes disse...

virou meu seguidor, fico feliz! beijos!

Sabrina Sanfelice disse...

Eeeee esses Zés! Adoro...

Beijos

Emerson Souza disse...

Tom Zé é a prova de que nem tudo é corruptível, de que não é necessário regravar funk carioca ou usar o horário nobre revelando fofocas pra resgatar ou reinventar absolutamente nada.
Belo post.